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Amadurecimento Textos

Vai com medo mesmo

23 de agosto de 2018

Hoje é, simplesmente, um daqueles dias em que eu precisava escrever. Pensei, pensei muito, muitas vezes e, na maior parte do tempo, eu estava segura. Meus argumentos são válidos e há uma razão que me acompanha. Mas dá um medo tremendo. Começa com um frio na barriga, uma coisa remexendo, revirando. Você sente a ponta dos dedos frias, seu corpo vai baixando a temperatura e lentamente você começa a ouvir as batidas do seu coração, uma após a outra, cada vez mais rápido, cada vez mais alto. A respiração fica pesada, como se o oxigênio no ar ficasse mais escasso, daí você tenta respirar fundo, mas é tão útil quanto um par de meias no verão.

Eu repetia na mente todas as certezas que eu tinha, mas não conseguia me ouvir. Era como ver uma televisão no mudo, sabia que tinha algo lá, mas não dava pra entender o que era. Quanto mais se aproximava do momento em que a decisão passava a ser ação, menos segura eu ficava. Foi então que numa sacada só eu abri a boca e tudo saiu. Quase que pulando para fora de mim. No segundo em que abri a boca, não dava para voltar atrás. Apesar de não ter sido a minha vontade, saber que algo não pode mais ser desfeito é, no mínimo, assustador.

O pior, foi não passar. Eu enfrentei o medo, decidi, agi e aquela sensação de tormenta dentro de mim não passou. Ao contrário, me veio uma vontade súbita de chorar. Deitar em algum canto, encolher as pernas e deixar aquilo que me sufocava por dentro sair pelos olhos. Só que a vida insiste em continuar mesmo quando não estamos preparados. Então, nada de pausa para o drama, engole esse choro e segue, menina. Segue o caminho que você escolheu. Firma esses passos, inclinado também se anda, é só não parar tempo demais para que o coeficiente de atrito se rompa e você caia. Segue, porque do alto da montanha você vai ver coisas indescritíveis. Vai dar medo, mas vai com medo mesmo, porque a vida assusta e é aí que mora a beleza das coisas. Por isso, ajeite a coluna, estique o pescoço, acalme o coração e vai.

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3 Comentários

  • Reply
    Nathalya Amorim
    23 de agosto de 2018 at 20:00

    Esses momentos nos assombram ao longo da nossa existência …. E com o tempo aprendemos que realmente temos que “ir com medo mesmo” pois algumas coisas valem o risco, e depois vemos que aquele medo do momento nem era tão grande como achamos !!! Costumo dizer que o medo é algo que pode nos paralisar, mas a coragem de encara-li nos faz concretizar !!! Show Lu 😘

    • Reply
      Lu SáFreire
      24 de agosto de 2018 at 10:14

      É isso Nathy, estou nessa expectativa e tenho um fé de estar fazendo o certo. Obrigada!

  • Reply
    Rebeca
    29 de agosto de 2018 at 01:28

    Oii Luu!! Se tem uma coisa que sempre ouvi quando cirança é que o medo é nosso, e se o medo é nosso e a gente criou o medo, somos mais fortes também. E assim segui, um dia de cada vez. Claro que as vezes dá vontade de deitar na posição fetal e esperar.. mas esperar não vai te fazer chegar a lugar nenhum. You go girl =)

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