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Amadurecimento Relacionamento Textos

Traição tem perdão?

17 de agosto de 2018

Oie amora, tudo bom?

Tem um tempinho que eu fiz uma enquete lá no Instagram (se você não me segue, pára tudo e corre lá!) e um dos temas pedidos foi TRAIÇÃO. Na época, outros temas, como a dieta Dukan, ganharam muito mais votos e acabei deixando esse de lado, mas o assunto não me saiu da cabeça. Foi então que, ao fazer minha corrida matinal ~ sim, tenho vários insight nesses 40 minutos maravilhosos! ~ comecei a esboçar um roteiro na minha mente, mas como traçar um pensamento sem cair no vício comum de sentenciar a coisa toda como errada ou, seguir no outro extremo, e fazer bem feito o papel de trouxa? A verdade, por mais piegas que possa parecer, é que cada caso é um caso. São tantas as variáveis envolvidas no processo, que generalizar acaba sendo o mesmo que simplificar e tudo que as relações humanas não são: é simples.

Só quem está apto a julgar o cerne da questão é quem está envolvido na relação, mas o senso comum, ah o maravilhoso senso comum, essa divindade que rege nossa suposta moral, diz que traição é imperdoável. Então, quem somos eu ou você para dizer o contrário, não é? Como discordar de leis tão bem regimentadas pela nossa sociedade? O problema disso é que, às vezes, essa ou aquela situação nem é tão imperdoável assim, ou melhor, seria algo que você toparia tentar superar, você já até pode ter ouvido casos de casais que conseguiram e isso te anima, mas a probabilidade maior é de ser taxada como besta, iludida, trouxa! Aí nos calamos, agimos de acordo com a multidão e isso não faz bem nenhum. Provavelmente, agora você deve, inclusive, estar pensando que eu estou bem errada e estamos okay quanto a isso e querendo entender de onde é que tirei essas ideias, vamos lá.

Ouvi, num determinado momento bem difícil da minha vida (que eu já compartilhei com vocês aqui e aqui ou aqui), de uma pessoa que considero bastante, que traição, nem sempre, significa falta de amor. Óbvio que rebati na hora, como alguém poderia amar e trair? Não existe isso. Só que tudo tem seu tempo de amadurecimento. Pensei sobre essa frase e fiz o exercício de sair do padrão, das respostas feitas, do esperado e constatei que: 1º – o “nem sempre” faz total diferença! É exatamente ele que separa as possibilidades reais de reconciliação das desculpas esfarrapadas e casos perdidos. Ensinando que, novamente, cada caso deve ser avaliado apenas pelos envolvidos. Aos demais, cabe o apoio, o conforto, o auxílio. 2º – agimos, na maior parte das vezes, na expectativa do que os outros vão dizer! Antes de pensarmos se perdoamos ou não, se a outra pessoa está ou não arrependida, se vale a pena ou não uma segunda chance, pensamos primeiro em “o que vão pensar da gente”. O que os vizinhos vão pensar, os amigos, a família… Os ecos chegam primeiro que nossos próprios sentimentos.

Então, como lidar com um assunto que é tão doloroso e tão sério e tão regimentado? Com honestidade. Honestidade com você, com o que você sente, com o que você pode suportar. Honestidade com o outro, isso vale tanto para quem traiu, quanto quem foi traído! É muito comum a frase “chifre trocado não dói” e, para mim, não passa de vingança. Por isso, meu conselho é sempre a honestidade. Traiu? Conta. Se arrependeu? Explica o que te levou a fazer isso, seja sincero, não tente jogar sobre o outro a sua culpa (“mas eu traí porque o meu relacionamento não estava legal” a culpa do relacionamento estar fluindo pode não ser sua, mas a decisão de ter traído sim! Ou seja, você podia ter conversado com seu parceiro antes. “Mas eu conversei e nada adiantou”, se você continuou nesse relacionamento, foi uma decisão sua, trair não é a melhor saída.) Foi traído? Termina. Acha que vale uma segunda chance? Conversa, supera. Não conseguiu esquecer? Avisa: “tá difícil, eu gosto de você, mas o que você fez está sendo muito pesado para mim”, termina. Não carregue nenhum peso nos ombros.

Na verdade, o diálogo e a verdade são sempre as melhores saídas para todos os casos, principalmente antes que essas histórias aconteçam. Só que elas acontecem e precisamos ser maduros para decidir por nós e não por um consenso. Precisamos nos respeitar, nem ceder, nem suportar. Viver precisa ser leve, estar num relacionamento precisa ser prazeroso. Existem segundas chances, existe canalhice, só quem convive todo dia pode saber diferenciar.

Um detalhe que ia esquecendo, as vezes, pode ser que valha a pena uma nova tentativa, mas ela também pode dar errado mais para frente, isso quer dizer que você não soube ver a diferença? Claro que não. Isso quer dizer o que já sabemos, tudo pode mudar. Não se culpe pela oportunidade dada, não se culpe pela coragem de perdoar, tenha sempre a consciência tranquila de que você honrou o seu acordo com o outro e, também, com você.

Me conta aqui em baixo sua opinião! Quem sabe você não quer dividir comigo uma história? Te espero na próxima.

Bjoks

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4 Comentários

  • Reply
    JOYCE MARA LOPES DO OLIVEIRA
    17 de agosto de 2018 at 23:09

    Assunto muito interessante e polêmico. Já fui traída e perdoei, e não me arrependi pq hj tenho um casamento feliz e duas filhas lindas. Mas não foi fácil no início. A desconfiança era demais. Daí minha mãe disse ou esquece ou termina e resolvi esquecer…ainda foi quando lembro mas me lembro cada dia menos e vivo o amor cada dia mais!

    • Reply
      Lu SáFreire
      21 de agosto de 2018 at 16:06

      Infelizmente, são feridas que deixam marcas, isso não podemos negar. Esperamos só que as lembranças boas superem as ruins em quantidade e em qualidade.
      Obrigada por dividir comigo sua vida!
      Bjoks

  • Reply
    Sabrina Sampaio
    18 de agosto de 2018 at 11:33

    Digitando com os pés pois com as mãos estou aplaudindo. Que post maravilhoso e te falar, é bem o que penso viu. Há casos e casos, não sabemos os motivos e meso assim insistimos em apenas falar “eu não perdoaria” “está sendo besta de perdoar”. Diálogo na maioria das vezes resolve as coisas.
    //www.agendaleatoria.blogspot.com

    • Reply
      Lu SáFreire
      21 de agosto de 2018 at 15:35

      Oie Sa! Fico feliz que tenha gostado! É um assunto polêmico, mas precisamos falar sobre coisas assim tbm né?! Conversar nunca faz mal.
      Obrigada pela visita!

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