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Amizade Relacionamento Slide

Por amor.

20 de abril de 2018

Como eu não queria estar escrevendo estas palavras agora, só que elas já tomaram meu coração, os espaços vazios dentro de mim, os minutos dos meus pensamentos mais profundos, então, só me resta render-me ao que já é dentro de mim e não sabes.
Esse caminho longo que percorremos por tanto tempo não chegou em lugar algum. A viagem foi bonita em muitos momentos, em alguns foi lembrança, noutros esperança, mas olhando agora onde estamos, não reconheço eu ou você. Qualquer tolo me diria a obviedade deste fato, mas tolos não sabem olhar além e não sei ser concreto. Achei que você saberia disso. Sou fluida, sou ar, sou aquilo que não se pode tocar, não se consegue nomear, não dá para prever. Sou feita de sentimento e tudo bem se você não fosse, era só me compreender que tudo dava certo. Não sei bem quando isso deixou de acontecer.
O acaso ou as escolhas que fizemos nos tornaram aquele clichê indiscutível da vida e cá estou sem nenhum pudor dizendo que já não basta para mim. Não basta não ter seu abraço quando meu coração está partido. Não basta  não ter o seu afago quando meu mundo desaba e você simplesmente me manda seguir. Não, não sei seguir assim. Preciso sentir, chorar, rir, gritar com Deus, com o mundo, com você e se você não entende isso, bem, talvez você não me conheça e se não conhece, talvez você nem goste mesmo de mim. 
Quem sabe eu não sou uma imagem da pessoa que você queria que eu fosse? Não te culpo. Na verdade, não te culpo. Nem estou cobrando nada. Você é quem você é e eu sou quem sou, só não me basta o que temos hoje. Porque eu brigaria com o mundo por você. Atravessaria qualquer distância para te dar meu ombro ou brindar com você. Porque as suas vitórias são meus troféus. Eu só sei ser assim.
E tudo bem sermos diferentes, mas preciso de mais. Preciso de alma. Preciso de entrega. Mais do que tens me dado, talvez mais do que tens dado a qualquer outro. Quero te ligar no meio da noite para dizer que tive um pesadelo e acordei chorando. Reclamar da família, do vizinho, do mau humor do meu chefe. Dividir meus sonhos irrealizáveis, discutir caminhos seguros e atalhos insanos em nossas conversas. Filosofar às 3 da manhã com um vinho qualquer. Arriscar lá fora com a segurança do teu amor. Não deu.
E está tudo bem. De verdade. Só quero que entendas que, para mim, não é possível continuar. Já nos machucamos esperando aquilo que não veio. Já ouvi tuas desculpas. Já acreditei de novo e nada novo surgiu. Ao contrário, a esperança tem machucado mais, doído mais, cansado mais. Então, antes que eu te culpe, prefiro ir. Partir antes que a maturidade dê espaço aos desejos e eu te cobre aquilo que não podes me dar e saiamos ambas feridas. Melhor seguir com a certeza de que foi em sua maior parte bom e deixar que a vida adulta se encarregue de trazer novos parceiros. Ou talvez, como tu já me disseste uma vez, não haja essa tal vida que busco. Se for assim, então será e quem sabe um dia eu volto para contar que lá, bem lá no fim, você estava certa. Eu sei o quanto você gosta de estar certa.
Eu sei muitas, muitas coisas sobre você e é exatamente por isso que preciso ir.

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