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Eu perdi

4 de abril de 2016
*imagem retirada do Google, link aqui
Eu vi, ou melhor, eu não vi mais a chama que tornava tudo real. Aquele brilho nos olhos de quando você perdia seu olhar no meu e me olhava por horas. Aquela tranquilidade ao me ter em seus braços, em me ter, em me amar. A leveza de sonhar o futuro.  Tudo se foi. Não sei dizer quando.
Logo eu que sempre estive em guarda, com medo de me entregar. Fazia personagens para nunca me despir. Pintava outro eu por cima de mim toda vez que a lua saia. Não percebi quando você me tirou o chão com conversas e braços e abraços e beijos. Eu perdi. No momento em que eu cedi, fiquei exposta. Carne crua, desnuda de qualquer mentira, era eu.
E você me levou longe, me fez sentir cada detalhe da vida. Como uma criança descobrindo o mundo, eu puder ser tão feliz, tão intensa, tão viva. Inocente, baixei a guarda e permiti que você morasse em mim. Deixei de olhar atenta, de me preparar, de esperar o mal. Eu perdi.

Em algum momento entre o fechar e abrir dos olhos já não estava mais lá. Seu toque agora era pesado, fatigante. Sua fala cansada. Os elogios breves, tanto quanto, o tempo juntos. De alguma forma eu sabia, apenas era tarde demais. Tarde para nós, para mim, para me proteger. Era mesmo o fim.

Essa crônica teve como inspiração a música You’ve lost that loving feeling, dos Righteous Brothers,
 e você pode conferir ela aqui.

Quem nunca perdeu um amor, não é mesmo? Como você fez?
Quem aí sabe como se cura um coração?
Quantos corações partidos andando agorinha mesmo pela rua…

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8 Comentários

  • Reply
    sandra mayworm
    9 de abril de 2016 at 19:47

    Lu, muito bonita e bem escrita sua crônica! Acho que acontece com todos…é triste!
    Um beijo, querida.

  • Reply
    Regina Celie Scovino
    9 de abril de 2016 at 23:45

    Lu, toda a entrega com cumplicidade, reciprocidade é algo fantástico, q nos leva, leves ao espaço, sem se querer, muitas vezes, medir até consequências… O gostoso é sempre o gosto do momento, sem nos importarmos com o depois do término… Mas… Se for deixado uma fabulosa essência, dàquela q impregna… Dá até pena d pensar nos finais: o final do ato, e o fim do encontro…
    Aí, amores, q às vezes não sabemos se apareceram para ficar!…
    Enfim… Amei a autenticidade da tua crônica: um encontro, uma decisão d se entregar, uma satisfação e um pesar!

  • Reply
    Ciana Andrade
    15 de abril de 2016 at 01:44

    Muito linda! Fiquei aqui pensando, pensando…ai.
    Parabéns Lu! bjs

  • Reply
    Tais Alice
    15 de abril de 2016 at 01:44

    E a gente baixa a guarda, se entrega, se envolve… vem a rotina e estraga tudo!
    Coisas da vida…
    Adorei!

    Um beijo.

  • Reply
    Rebeca Stiago Cestari
    15 de abril de 2016 at 01:44

    Oii Lu! Que delicadeza a tua escolha de palavras. Parabens pelo texto. Beijo

  • Reply
    Sisco
    24 de abril de 2016 at 15:12

    Nossa, gostei muito dos seus textos, sua escrita é envolvente! Certamente vou ler outros! Parabéns novamente!

    beijos (//antesdasobremesa.wordpress.com/)

  • Reply
    Betânia Duarte
    24 de abril de 2016 at 15:13

    Que texto maravilhoso, é incrível sua capacidade de fazer até pessoas que nunca passaram por essa situação se sentir no contexto, adorei :))
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

  • Reply
    Taís de Oliveira
    24 de abril de 2016 at 17:09

    É impressionante: é só abaixar a guarda e pronto! Nos envolvemos, nos entregamos e fim. Por isso, hoje, dou valor ao amor por inteiro. É muito difícil manter a as mil personagens que criamos para não nos abrir, daí cansei. Se for pra me amar, que me ame de cara lavada. Beijão :*

    //www.eternatpm.com.br

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