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Amadurecimento Crescimento Dor weda

Anestesia

2 de abril de 2016
Há alguns dias ouvi uma moça jovem, bem jovem, dizer que “preferia não sentir mais nada”. Aquela invasão a privacidade alheia me causou um desconforto absurdo. Sou assim mesmo, de sentir, de por as entranhas para fora, e por isso remoí aquelas palavras tão amargas por horas à fio. O que teria sido tão devastador que a faria preferir apatia?
Para essa pobre cronista a chave sempre está no coração. Seja porque se deu demais ou porque doeu demais, o alvo certo é esse músculo do tamanho de um punho que carregamos no peito. A causa nem sempre é nobre, a culpa as vezes é nossa, as vezes não se tem culpa e, na maioria dos casos, é de todo mundo. Afinal, viver é interagir numa teia multifacetada, nada simples.
Somos o resultado das más escolhas que fizemos e dos caminhos que acertamos. O jogo é duro e não é para qualquer um. Mesmo sendo atleta, nem todos disputam maratonas! Então, se machucar é um fato, sentir deveria ser opcional!
É uma saída. Covarde, mas ainda sim, uma saída. Veja bem caro leitor, você não está optando pelo que sentir, está deixando de fazê-lo. Ou seja, aquela risada gostosa com os amigos de infância lembrando aquele verão, não existirá. Você vai lembrar, só não vai sentir, nem mesmo saudade. Ou o sabor daquele picolé de limão, ou o doce sabor do primeiro amor. Aquele frio na barriga do primeiro beijo, da primeira vez, da hora do sim, serão apenas fatos. Tópicos num documento indiferente. Vale mesmo a pena? A solidão é tão mais amiga assim?
Não estou dizendo que não dói. Dói, muito. Sangra tantas outras vezes. Algumas delas você nem se recupera, são nós que mudam quem somos – que não é de todo ruim. Não é a dialética da vida que nos move? A contradição entre o fim e o início? Ou você perderia aquele riso fácil, as tardes ouvindo música, as noites sob as estrelas, só porque no fim você vai chorar?
Do que adiantaria ter um coração, se ele não fizer sentido? Anestesia, apatia, indiferença não tornam você melhor, apenas tiram o melhor de nós, a vida. Essa enorme montanha russa a 250 quilômetros por hora no escuro. As borboletas no estômago, os vaga-lumes na estrada. É o jogo de apostas onde nem sempre a casa ganha e você pode ter sorte se insistir.
Sinta, sinta tudo. Sinta a chuva gelada que cai inesperadamente. O medo de não conseguir e a satisfação de vencê-lo. A ousadia de insistir, de seguir, de ir além.

Essa crônica teve como inspiração a música Give me Novacainedo Green Day, e você pode conferir ela aqui.
E você, o que prefere? Sentir ou viver preservada dessa imensidão toda?
Numa pegada “Divertida Mente”, qual sentimento que mais define você?
Me conta o que achou, vamos conversar!
Não esquece de deixar seu link, quero conhecer você!

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9 Comentários

  • Reply
    Irianne Veloso
    5 de abril de 2016 at 08:41

    Poxa Lu, não faz assim… eu já fui tanto dessas que dizem preferir não sentir que acabei me tornando uma pessoa fria, não por dentro mas para com os outros, porque eu sinto muito mas não consigo tornar explícito. É tão difícil, e as pessoas acabam se afastando por achar que eu não gosto ou não me sinto bem com elas mas eu sinto e não quero gritar EI OLHA AQUI EU GOSTO DE VOCÊ porque é demais pro meu orgulho, entende? Ai ai…

    irianneveloso.blogspot.com

  • Reply
    sandra mayworm
    5 de abril de 2016 at 08:41

    Então, achou as palavras, não é, Lu?
    Aguardando Carolina!!!
    Bjs

  • Reply
    Rebeca Stiago Cestari
    5 de abril de 2016 at 08:42

    Ela voltouuuuuu!! E com tudo, pelo visto! "Somos o resultado das más escolhas que fizemos e dos caminhos que acertamos." <3 <3 Rolava uma tatuagem com essa frase ne? Mas sabe, as vezes a dor acaba sendo muito mais pesada e uma anestesia cai bem… Mas tambem, por outro lado, sou como voce.. confio cegamente no coracao. Muito feliz com teu regresso. Beeeijo

  • Reply
    Thato - Deveras Sente
    5 de abril de 2016 at 08:42

    Perfeito Lu, sou suspeito pra falar. Sempre vou preferir sentir e sentir e mais vezes sentir seja lá qual for o tipo de sentimento que me for oferecido. Do que nada sentir por nada, nem ninguém…. Dói, mas vale a pena. Bjos

  • Reply
    Tais Alice
    6 de abril de 2016 at 12:55

    Adoro uma frase que diz: Nada nunca valerá a pena se não conseguir fazer o meu coração vibrar!"
    E o que seria do crescimento e amadurecimento sem a dor?
    Quando dói, preferimos mesmo não sentir mas depois que passa… passou! E mudamos e crescemos…
    Adorei!

    Um beijo.

  • Reply
    Ciana Andrade
    7 de abril de 2016 at 13:33

    Lindo Lu! São coisas da vida… Não há como ficar sem sentir, que não sente não vive. As vezes pelas próprias vivências aprendemos a dar aquela volta no sentimento mas… não tem como escapar de tudo. bjs

  • Reply
    Equipe Das Letras
    7 de abril de 2016 at 13:33

    Lindo seu blog! Quanto a sua crônica, fez-me lembrar de um verso do grande Guimarães Rosa que diz mais ou menos assim: "O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim, esquenta e depois esfria, sossega e desinquieta, no final o que ela quer da gente é coragem."

    Estarei sempre por aqui! Adorei!

    Que blog lindo! Essa projeto da Confraria é show de bola!
    Estarei sempre por aqui!
    Grande abraço!

    Patrick René
    //www.dasletras.com.br

  • Reply
    Lady Salieri
    9 de abril de 2016 at 18:13

    Eu sou daquelas que às vezes sente tudo demais, então um pouco de anestesia viria a calhar XD

  • Reply
    Dê Amaro
    24 de abril de 2016 at 15:12

    Lindissimo Lu, confesso que pra mim houve um tempo em que eu preferia não sentir nada, e isso me fazia uma mau danado, mas hoje prefiro sentir e sentir mesmo, sentir um turbilhão de emoções, as vezes vai doer, mas vale muito a pena, o sentimento de renovação <3 hahaha 😀

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